A deputada federal Célia Xakriabá (Psol) afirmou nesta terça-feira (27) que pediu investigações para apurar um suposto envenenamento da água no território dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul após as eleições presidenciais. Segundo ela, lideranças locais relataram terem sido vítimas do crime.
Em um áudio no aplicativo whatsapp, um dos envolvidos teria dito que é preciso “matar essas praga [sic] pela água”. A denúncia também foi feita pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
A deputada acrescentou que os indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul já sofrem com o pouco acesso à água potável e dependem de caminhões pipa. E que contaminar esse recurso coloca em risco a vida dessa população.
A denúncia foi encaminhada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e dos Povos Indígenas (MPI), ao Ministério Público federal (MPF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que a denúncia está relacionada ao resultado das eleições.
Em uma nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) também pediram as investigações do caso e acrescentaram que estão atuando em denúncias de violência contra comunidades quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno das eleições.
Tacuru
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais na tarde de segunda-feira (26), dizendo ter sido um “mal-entendido” os áudios compartilhados de servidores da prefeitura dizendo que a água dos indígenas deveria ser “envenenada”, depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Áudios que circulam nas redes sociais mostram homens fazendo declarações ofensivas contra os povos indígenas e mencionando a possibilidade de colocar veneno na água. Segundo o Portal Midiamax, o caso foi denunciado pelo vereador e cacique da comunidade, Ivan Montie (PSDB), que afirma ter identificado os envolvidos e que tomará medidas nas esferas criminal e cível.
Nas redes sociais, Torquetti aparece usando um boné com o número 22, de Flávio Bolsonaro. No story, ele está ao lado de Zuleine, na Aldeia Sassoró, tomando um tereré. “Estou aqui com a minha amiga tomando um tereré e não tem veneno na água”, disse.
O prefeito diz ainda que houve divergência na eleição; entretanto, classificou como um mal-entendido o áudio dos servidores. “Eles se expressaram mal, ontem [domingo], no momento de euforia, talvez um pouco de álcool por conta de não saber perder, e quero dizer que nos perdoem e perdoem quem gravou o áudio se, de certa forma, ofendeu vocês”, disse.