As instituições financeiras poderão apresentar até R$ 90 bilhões em dívidas antigas para renegociação na primeira etapa do Desenrola 3.0. O edital de chamamento foi anunciado nesta quarta-feira (21) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, marcando o início da habilitação de bancos e fundos interessados em vender carteiras de crédito à União.
Apesar do volume máximo previsto, o custo estimado para a aquisição de todo o montante é de até R$ 9 bilhões. O cálculo considera o desconto mínimo de 90% exigido pelas regras do programa.
Os credores terão o prazo de cinco dias úteis para informar o volume exato de débitos que pretendem oferecer. Esta fase inicial não representa uma convocação para que os consumidores renegociem seus débitos, mas um procedimento técnico para mapear o interesse dos credores e o volume de dívidas dividido por faixas de renda.
"Estamos fazendo uma chamada aos bancos para que eles se organizem e apresentem o exato volume pelas diferentes faixas dos credores. Nessa chamada de interesse vamos permitir que várias faixas de renda sejam apresentadas, mas nosso foco são faixas de renda menores", afirmou Durigan.
O chamamento público é destinado a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Para avançar às próximas fases, os credores devem apresentar carteiras que atendam aos critérios do programa e aceitar as condições mínimas de desconto.
O cronograma do processo compreende:
Segundo o governo, a estrutura da disputa buscará favorecer devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Contudo, caso o volume de dívidas de baixa renda seja inferior ao projetado, a administração federal poderá direcionar recursos para a compra de débitos de alta renda.
O Desenrola 3.0 foi instituído por medida provisória em setembro. O programa prevê a compra de carteiras de crédito para viabilizar acordos diretamente com os consumidores.
Os débitos elegíveis devem obedecer aos seguintes parâmetros:
No lançamento da iniciativa, a projeção inicial indicava um volume total de dívidas elegíveis de até R$ 150 bilhões, com desembolso estimado em R$ 15 bilhões. A estimativa atual de R$ 90 bilhões refere-se à expectativa específica da primeira chamada de ofertas.
Após a realização do leilão, as dívidas adquiridas pelo governo serão disponibilizadas para renegociação com os devedores, repassando os descontos obtidos na compra das carteiras. Os consumidores poderão optar pelo pagamento à vista ou parcelado, com incidência de juros nas modalidades a prazo.
Os prazos, as taxas e as condições operacionais definitivas ainda dependem de regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN). O Ministério da Fazenda reforça que, neste momento, os consumidores não precisam procurar os bancos, pois o procedimento atual restringe-se ao alinhamento com as instituições credoras.