O Pantanal, a maior planície alagada do mundo, vem enfrentando anualmente incêndios que têm gerado a devastação de grandes áreas da vegetação do bioma.
Conforme dados do MapBiomas, entre janeiro e agosto deste ano, a área queimada no Pantanal aumentou 249% em comparação à média dos cinco anos anteriores. No total, foram queimados 1,2 milhão de hectares.
Estudos inéditos da iniciativa criada pelo Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC) revelam, também, que a área alagada do Pantanal diminuiu 61% entre 1985 e 2023, uma queda acompanhada por períodos de seca mais prolongados e cheias cada vez mais curtas, o que tem favorecido também incêndios mais intensos.
A mesma realidade é enfrentada pelo Cerrado brasileiro e o MapBiomas aponta que mais da metade de toda área desmatada no Brasil está localizada no Cerrado. Em 2023, o bioma perdeu 1,8 milhão de hectares de vegetação nativa.
Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemaden), 2024 registra a pior estiagem em 44 anos e, somente no Pantanal e Cerrado, foram identificados 14 mil e 76 mil focos de incêndio, respectivamente, até outubro.
A avaliação feita pela organização não-governamental WWF-Brasil, que tem apoiado a formação de brigadas comunitárias voltadas à prevenção e combate inicial aos incêndios, é a de que o cenário de devastação dos biomas poderia ser ainda maior sem o trabalho intenso de centenas de brigadistas.
De acordo com a instituição, o resultado positivo da estratégia decorre de investimentos como treinamento de 20 brigadas em diferentes pontos do Pantanal e 12 no Cerrado, em parceria com a organização Ecoa, SOS Pantanal e o Prevfogo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Essa estratégia teve origem na resposta emergencial que foi conduzida em 2019, quando a Amazônia também enfrentou grandes incêndios. Com as mudanças climáticas e os incêndios mais frequentes, entendemos que era preciso estender essas ações a outros biomas e apoiar a formação e fortalecimento de brigadas comunitárias de forma constante”, salienta Osvaldo Barassi Gajardo, especialista em conservação do WWF-Brasil.