BRASÍLIA – O governo federal lançou na terça-feira (30) os Planos Safra 2026/2027, que vão destinar R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar. O objetivo dos programas, que somam mais de R$ 622 bilhões, é expandir o acesso ao crédito rural, impulsionar investimentos tecnológicos e incentivar práticas sustentáveis no campo.
O montante voltado aos médios e grandes produtores (agricultura empresarial) teve uma alta nominal de 1,72% em relação ao ciclo anterior, o que representa R$ 8,9 bilhões a mais. No entanto, o valor destinado especificamente ao custeio e à comercialização recuou 7,2%, passando de R$ 414,7 bilhões na safra passada para R$ 384,9 bilhões no atual período. Em contrapartida, as verbas para investimentos em tecnologia e infraestrutura cresceram 38,1%, somando R$ 140,2 bilhões.
A taxa máxima de juros para o custeio empresarial caiu de 14% para 12,5% ao ano. Para os médios produtores, incluídos no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), foram reservados R$ 72,6 bilhões, com juros máximos de 9% ao ano — abaixo dos 10% cobrados no ciclo anterior.
O programa também manteve um mecanismo que dá desconto de até 1 ponto percentual nas taxas de juros de custeio para produtores que adotarem critérios ambientais. Metade desse abatimento (0,5 ponto percentual) será dada a propriedades com o CAR (Cadastro Ambiental Rural) regularizado, e a outra metade será concedida a quem comprovar práticas sustentáveis e sistemas de produção certificados.
Para a presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Silvia Massruhá, o plano fortalece um modelo focado na produtividade com responsabilidade socioambiental.
Agricultura Familiar O plano voltado aos pequenos produtores destinará R$ 85,2 bilhões ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o que representa um crescimento de 61% frente ao ciclo 2022/2023. O pacote engloba ainda recursos para seguro rural, garantia de renda e assistência técnica.
O governo reduziu os juros anuais para a produção de alimentos básicos, como arroz e feijão, de 3% para 2%. Nas linhas de crédito para agroecologia, produção orgânica e sociobiodiversidade, a taxa caiu de 2% para 1% ao ano.
O limite de financiamento por unidade familiar no microcrédito rural (Pronaf B) subiu de R$ 53 mil para R$ 74 mil, com juros de 0,5% ao ano. Foram ampliadas também as políticas para mulheres rurais — com redução dos juros de investimento para 2% ao ano —, jovens agricultores e povos tradicionais. O programa incluiu ainda uma linha de crédito de até R$ 10 mil voltada para a reforma de moradias no campo e expandiu o Programa Mais Alimentos, focado no financiamento de tratores e máquinas de pequeno porte.