Dados do Índice de Capital Humano colocam Mato Grosso do Sul como o segundo estado do Brasil com melhor desempenho no setor, reflexo direto de políticas públicas voltadas à qualificação profissional e geração de empregos. O cenário se traduz em números: o estado tem a segunda menor taxa de desocupação do país, com 2,4%, segundo o PNAD/IBGE, e lidera o ranking de mobilidade social, com 2,9%.
Por trás dos índices, há trajetórias individuais de trabalhadores que encontraram na formação técnica e nos serviços de intermediação de mão de obra uma chance de mudar de vida.
Aos 38 anos, Vanessa Amorim decidiu abandonar a carreira consolidada na área de telecomunicações para realizar um sonho antigo: atuar na saúde. Inscrita no curso técnico em enfermagem oferecido pela Secretaria de Estado de Educação (SED), ela passou no processo seletivo e hoje se prepara para ingressar em nova profissão.
"É a primeira vez que faço um curso técnico. Sempre gostei da área da saúde, mas nunca tive oportunidade financeira para pagar. Quando soube que era gratuito, me inscrevi na hora", conta.
O curso integra o catálogo de formações da área da saúde lançado pelo Estado em 2015. Atualmente, quatro turmas estão em andamento no Centro de Educação Profissional Ezequiel Ferreira Lima, somando cerca de 120 alunos. Segundo o coordenador Pedro Augusto de Miranda, a demanda cresceu significativamente durante a pandemia e se mantém aquecida.
Thaiane Matias Rodrigues, 22 anos, começou o técnico em enfermagem ainda no 3º ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Maestro Heitor Villa Lobos, em Campo Grande. A formação incluiu estágios na UBSF José Abraão e no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS).
"Eu enxergava na profissão uma oportunidade concreta de crescimento. O curso me deu preparo prático e, assim que concluí, consegui um emprego com remuneração acima da média do setor", afirma.
Atualmente, Thaiane está em processo de formação em logística e atribui à formação gratuita a chance de ingressar no mercado de trabalho.
Rafael dos Santos, 21 anos, trancou a faculdade de Direito para se dedicar ao curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas pelo programa Voucher Desenvolvedor, do Governo do Estado. Hoje, trabalha como desenvolvedor em uma startup.
A mudança começou por incentivo do pai, que viu a oportunidade de inscrição. Rafael fez a prova, passou e teve o primeiro contato com programação. Em 2025, participou de seletivas para competições profissionalizantes do Senac e, após sete meses de treinamento intensivo, representou Mato Grosso do Sul no campeonato nacional no Rio de Janeiro, ficando em segundo lugar.
"O programa mudou minha vida. Me deu a chance de conhecer pessoas da área, participar de projetos que jamais imaginei e chegar a lugares que nunca pensei em conquistar", diz.
O Voucher Desenvolvedor integra o plano MS Qualifica e oferece formação gratuita em Desenvolvimento de Sistemas para estudantes da rede pública e egressos em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas. Na primeira edição, 238 alunos concluíram o curso.
Caroline Auxiliadora de Santana, 24 anos, estava insatisfeita no emprego quando encontrou, pelas redes sociais, uma reportagem sobre vagas da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab). Foi até uma unidade, encontrou uma oportunidade para assistente administrativo — com melhor salário, benefícios e mais perto de casa —, fez a entrevista no dia seguinte e foi contratada.
"Estou satisfeita, gosto bastante do que faço", afirma.
O mesmo serviço foi usado por Christian Eduardo Bueno, 16 anos, que buscava o primeiro emprego sem comprometer os estudos noturnos na Escola Estadual Padre José Scampini. Em menos de uma semana, foi contratado como assistente administrativo.
"Consigo conciliar com organização. Agora trabalho com planilhas e dados, e no futuro quero estudar administração ou direito", diz o estudante.