A Comissão Pastoral da Terra divulgou novos dados que acendem um alerta sobre a violência no campo no Brasil. Apesar da queda no número total de conflitos em 2025, os assassinatos e casos de trabalho escravo registraram aumento significativo.
Segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil, foram contabilizados 1.593 conflitos no ano passado, uma redução em relação a 2024. No entanto, o número de mortes dobrou, passando de 13 para 26 vítimas. A maioria dos assassinatos ocorreu na região da Amazônia Legal, especialmente nos estados do Pará, Rondônia e Amazonas.
Os dados apontam que fazendeiros aparecem como os principais envolvidos nos assassinatos, seja como mandantes ou executores. Além disso, houve crescimento em outros tipos de violência, como prisões, humilhações e casos de cárcere privado.
Quando analisados os tipos de conflito, as disputas por terra representam a maior parte, com 75% dos registros. Também foram identificados conflitos trabalhistas, disputas por água e situações envolvendo ocupações e retomadas de territórios.
Os povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem terra estão entre as principais vítimas desses conflitos. Já entre os responsáveis pelas ocorrências, além de fazendeiros, aparecem empresários, garimpeiros e até agentes públicos.
Outro dado preocupante é o aumento nos casos de trabalho escravo. Em 2025, foram registrados 159 casos, com quase duas mil pessoas resgatadas. As situações mais graves envolvem atividades como construção de usinas, lavouras, pecuária e mineração, setores historicamente associados a esse tipo de exploração.
O relatório também destaca condições degradantes enfrentadas por trabalhadores, como alojamentos precários, falta de água e alimentação inadequada.
Além dos dados, a entidade lançou uma plataforma digital que reúne informações sobre conflitos socioambientais no país, permitindo acompanhar a relação entre expansão econômica e violações de direitos humanos ao longo dos anos.